quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Floresta de Livros: Um Crime no Expresso do Oriente

Floresta de Livros: Um Crime no Expresso do Oriente: "Um Crime no Expresso do Oriente (Hercule Poirot 10)", de Agatha Christie ( RBA Coleccionables )  Sinopse:  Em pleno Inverno...

ainda o cadáver esquisito


E VOLTANDO AO ASSUNTO DO JOGO,LEMBREI-ME DE PROCURAR UMA FONTE FIDEDIGNA:MÁRIO CESARINY.UM DOS PRINCIPAIS REPRESENTANTES DO MOVIMENTO EM PORTUGAL.


Mário Cesariny adopta uma atitude estética de constante experimentação nas suas obras e pratica uma técnica de escrita e de (des)pintura amplamente divulgada entre os surrealistas. A sua poesia é animada por um sentido de contestação a comportamentos e princípios institucionalizados ou considerados normais nos campos do pensamento e dos costumes. Ao recorrer a processos tipicamente surrealistas (enumerações caóticas, utilização sistemática do sem-sentido ou do humor negro, formas paródicas, trocadilhos e outros jogos verbais, automatismo, etc.) alcança uma linguagem que sabe encontrar o equilíbrio entre o quotidiano e o insólito.2 Introduz também a técnica designada “cadáver esquisito”, que consiste na construção de uma obra por três ou quatro pessoas, num trabalho em cadeia criativa em que cada um dá continuidade, em tempo real, à criatividade do anterior, conhecendo apenas parte do que este fez.

Nos últimos anos de vida, desenvolveu uma frenética actividade de transformação e reabilitação do real quotidiano, da qual nasceram muitas colagens com pinturas, objectos, instalações e outras fantasias materiais.

Sobre as sessões para que o convidavam e em que o aplaudiam, o poeta comentava: Estou num pedestal muito alto, batem palmas e depois deixam-me ir sozinho para casa. Isto é a glória literária à portuguesa3 .


ANDEI PELA WIKIPÉDIA EM BUSCA DE REFERÊNCIAS RELACIONADAS E DESCOBRI ISTO:




quarta-feira, 24 de setembro de 2014

imagem & poema

Cadavre Exquis O lado surrealista da arte colaborativa

Cadavre Exquis O lado surrealista da arte colaborativa

O POEMA E O CADÁVER EXQUISITO

um jogo.uma folha de papel,entusiasmo,uns copinhos de ginja.(pode ser scotch,rum,cognac)
o papel é distribuido aos participantes do jogo.
devem escrever uma frase ou duas ou mesmo um parágrafo inteiro.
depois,dobra-se a folha e entrega-se ao seguinte,sem que este veja aquilo que foi escrito.e assim sucessivamente até voltar ao primeiro jogador.pode definir-se um título prévio e neste caso,cada um pode participar com uma palavra,um verbo e/ou um substantivo.mas é facultativo.
tem mais interesse construir um texto e de seguida escolher-se um título.
o dito texto pode resultar uma amálgama confusa de histórias ,embora haja sempre uma continuação caótica e absurda.
ou surrealista.
podemos chamar a este jogo:o cadáver esquisito.

reencontrei um poema meu que deriva de uma sessão em que participei.o cadáver exquisito em questão obedecia a um conjunto de regras pré-estabelecidas.por exemplo tinha de ser iniciado como um poema onde cada jogador inseria determinadas palavras.
"culto" era uma delas e cabia a mim.outra era "flauta" ou "oásis".
houve um que colocou "bicicleta","aspirador" e "vertigem".
aconteceu juntar "nuvem" a "sardinha".



A UM AMIGO QUE DESAPARECEU



FOSTE SUBLIME NA REPRESENTAÇÃO
DE REI-ESCRAVO-OURIVES
A TUA MENSAGEM SURGIU LEGÍVEL
POR ENTRE O SANGUE NO ANFITEATRO
DE UMA CIDADE NUNCA ESQUECIDA
CONHECESTE POR ACASO UM HOMEM QUE VAGUEAVA
SERENO NAS RUAS DE OUTROS HOMENS
TOCANDO UMA FLAUTA MÁGICA
QUE ATRAÍA TODAS AS MULHERES DO REINO?

QUANDO DISSESTE
QUE TODOS MORRERÍAMOS DE SEDE
NÃO TE ENGANASTE.
AINDA HOJE OS OÁSIS DE TODO O MUNDO
SÃO LUGARES DE CULTO.


fui em busca de exemplos e de uma fonte segura

Se você pudesse voltar ao longínquo ano de 1925, um bom local para visitar seria o número 24 da famosa Rue du Château, em Paris. Ali, na casa que o roteirista e ator Marcel Duhamel habitava com outros importantes artistas contemporâneos, costumavam se reunir alguns dos principais representantes do surrealismo no século XX: Yves Tanguy, Marcel Duchamp, Jacques Prévert, Benjamin Peret, Pierre Reverdy, André Breton e outras figuras que dificilmente poderiam ser enumeradas em ordem de grandeza.

Dependendo do momento em que você aparecesse, encontraria o grupo debatendo sobre os principais acontecimentos da época. Mas, como tudo é uma questão de timing, você também poderia chegar mais tarde e surpreendê-los no meio de uma curiosa e – na visão de alguns – pueril brincadeira: o Cadavre Exquis.

Literalmente, a expressão significa “Cadáver Requintado”, embora muita gente utilize traduções menos precisas, como “Cadáver Esquisito” ou “Corpo Estranho”. As regras originais do jogo são desafiadoramente simples: alguém inicia uma frase em um pedaço de papel e o entrega ao próximo participante, para que este continue o texto. Uma terceira pessoa acrescenta mais um trecho à sentença, passando-a àdiante. E assim sucessivamente. No entanto, cada jogador só é autorizado a ler a contribuição do participante imediatamente anterior a ele; o conteúdo inteiro do papel só é revelado no final.

Reza a lenda que o nome do passatempo deriva da frase que surgiu na primeira vez em que os surrealistas da Rue du Château decidiram experimentá-lo: “O cadáver requintado irá beber o novo vinho”. Outros resultados aussi bizarre vieram mais tarde (em tradução livre):

A luz completamente negra estabelece dia e noite a suspensão impotente para fazer o bem.

Monsieur Poincaré, se você quiser, beijos na boca, com uma pluma de pavão, em um ardor que eu nunca vi antes, o atrasado Monsieur de Borniol.

O camarão maquiado dificilmente ilumina alguns beijos duplos.

A Rua Mouffetard, estremecendo de amor, diverte a quimera que dispara sobre nós.

O Pathos, muito emocionado, agradece cantando o projétil de grama picada entre Line e Prâline.

Caraco é uma linda prostituta: preguiçosa como um arganaz, e coberta de vidro por nada fazer, ela encordoa pérolas com os perus da farsa.

Desde aquele comecinho de século, o Cadavre Exquis, além de ter influenciado diversos escritores e poetas que frequentavam a casa de Marcel Duhamel, expandiu-se com energia de gente viva para quase todos os segmentos artísticos. Nas artes plásticas, a técnica não apenas é usada para criar colagens e desenhos coletivos, mas também já gerou projetos como este interessantíssimo experimento da Asia-Europe Foundation, ou o recém-lançado The Exquisite Books: 100 Artists Play a Collaborative Game.

Nas telas, a coisa alcança um patamar ainda mais incrível. Se você mantém um rol de experiências instigantes, certifique-se de acrescentar a ele a animação oitentista AniJam, o filme Cadavre Exquis Première Édition e o sensacional documentário tailandês Misterious Object at Noon (dividido em 9 partes no YouTube), em que moradores de vilarejos do país constroem juntos uma história de ficção, ao mesmo tempo em que contam passagens marcantes de suas próprias vidas.
Bruno Lacerda
HÁ LIVROS QUE FICAM NUM ESPAÇO FRIO E POEIRENTO,GUARDADOS,ATÉ AO FIM DOS DIAS.(AS FOLHAS COLAM-SE NAS GAVETAS DA MEMÓRIA),ALGO SILENCIOSOS,EXPECTANTES,DESEJANDO QUE EU REGRESSE AO CORPO DELES E ME TORNE DENTRO DELES.HÁ LIVROS QUE POSSUEM A MÁGIA DE IREM CHAMANDO COM UMA VOZ DE PAPEL AMARELECIDO
LI O VIAN ALGUNS ANOS ATRÁS E CONFIRMO AQUELA SUSPEITA. .
RENDI-ME Á TRAMA DA OBRA E VOLTEI A LER.

Livro à Quarta: O Arranca Corações


«Como me sinto inquieta», pensou Clementina, debruçada à janela.
O jardim doirava-se ao sol.
Não sei onde eles estão, o Noël, o Joël ou o Citroën. Podem, entretanto, ter caído ao poço, ou comido alguns frutos envenenados, ou apanhado com alguma seta num olho, se algum outro miúdo anda a brincar no meio da estrada com um arco, ou podem ter sido contaminados pela tuberculose, se algum bacilo de Koch se meteu de permeio, ou terem perdido os sentidos, se cheiraram alguma flor de perfume muito intenso, ou terem sido picados por um escorpião trazido pelo avô de algum garoto da aldeia, algum célebre explorador que tenha chegado há pouco da terra dos escorpiões, ou terem caído de uma árvore abaixo, ou corrido, depressa demais e partido uma perna, ou brincado com a água e afogado, ou descido a falésia e estampado e quebrado a espinha, ou arranhado nalgum arame ferrugento e apanhado o tétano; foram até ao fundo do jardim e viraram uma pedra, debaixo da qual havia uma pequena larva amarela que vai desenvolver-se num abrir e fechar de olhos, e voar em direcção à aldeia, e introduzir-se no estábulo de um touro bravo e picá-lo no focinho; o touro sai do estábulo, deita tudo abaixo, e ei-lo que mete pernas ao caminho, em direcção a esta casa, vem de lá como doido, deixa tufos de pêlo negro em cada curva, presos às moitas de uva-espim; e, mesmo em frente de casa, lança-se de cabeça baixa contra uma pesada carroça puxada por um cavalicoque meio cego. Com o choque, a carroça desmantela-se e um pedaço de metal é projectado no ar a uma altura incrível; possivelmente um parafuso, uma cavilha, uma porca, um prego,
um ferro do varal, um gancho de ligação, um rebite das rodas, que foram carpinteiradas e depois quebradas, e reparadas mediante cinchos de freixo talhados à mão, e esse pedaço de ferro sobe, silvando, em direcção ao azul do céu. Passa por cima do gradeamento do jardim, e oh meu Deus, vai cair, vai cair e, na queda, aflora a asa de uma formiga voadora, arrancando-lha, e a formiga, mal dirigida, perdida a estabilidade, vagueia por sobre as árvores como uma formiga que já não presta, e tomba, de repente, sobre a relva onde, Deus meu, está o Joël, o Noël e o Citroën, a formiga cai em cima da bochecha do Citroën e, deparando, possivelmente, com uns restos de doce, pica-o...
— Citroën! Onde estás tu?
Clementina precipitara-se para fora do quarto e gritava, fora de si, enquanto descia as escadas a galope. No vestíbulo, esbarrou com a criada.
—Onde ó que eles estão? Onde estão os meus filhos?
—Estão a dormir — respondeu a outra, com ar de espanto. — É a hora da sesta.
Pois é, ainda não foi desta; mas era perfeitamente plausível. Voltou para o quarto. Com o coração aos pulos. Não há dúvida de que é um perigo deixá-los ir sozinhos para o jardim.
Boris Vian, O Arranca Corações
Tradução de Luiza Neto Jorge, Editorial Estampa
Boris Vian, escritor, compositor, trompetista, cronista de jazz, cenógrafo, actor de cinema.
Je serai content quant on dira / au téléphone / ... / V comme Vian... // J’ai de la veine que mon nom ne commence pas par un Q / Parce que Q comme Vian, ça me vexerait